2009-11-19

I'm on my way down, I'd like to take you with me

Ando tão cansado que acabei de passar uns bons cinco minutos com os fones pendurados nas orelhas até me dar conta que tinha a música desligada. Ou isso ou os poucos neurónios que me restam estão todos entretidos com as minhas memórias do "9 Semanas e Meia" e do "Pecados de uma Mulher Casada". Menos aquele que tem assim um olho meio fechado e mais gengiva que dentes e que é sempre o último a ser escolhido para as equipas de futebol. Esse deve estar a brincar com um interruptor ou assim.

Mudam-se os tempos

Eu sou de um tempo mais simples, mais puro.

Eu sou do tempo em que o mais parecido que tínhamos com uma Oreo era quando espremíamos um naco de manteiga entre duas bolachas Maria, telefonar para um amigo implicava dar ao disco do telefone - que fazia crrrt-cat-cat-cat-cat - e o equivalente a um sms era deixar recado com a mãe dele.

Eu sou do tempo em que dar um murro em algo era um método perfeitamente legítimo de reparação. A velha Blaupunkt a preto e branco não funciona? Dá-se-lhe uma marretada de lado e fica como nova. O transístor só apanha ruído branco? Dá-se com ele na mesa meia dúzia de vezes e é como se os Parodiantes de Lisboa estivessem ao nosso lado.

Hoje em dia já não é assim.

Num acesso de fúria dá-se um tabefe ao portátil e fica-se sem o magenta, e qualquer aberração alguma vez pensada torna-se realidade, como a cerveja sem álcool e os hambúrgueres de soja. Pais preocupados protegem as esquinas da mesa para que as suas crianças não abram lá um sobrolho e trancam as portas dos armários para que não bebam o detergente da louça, garantindo assim que toda uma geração de mariquinhas cresça para nos governar no futuro.

Às vezes tenho saudades do meu tempo. E do magenta.

2009-11-17

Dwarf Invasion

Alguma vez deram por vocês a ouvir uma música e a pensar que o que falta à letra são anões? Iá, eu também.

The third testament... kicks ass!!!

Alguma vez deram por vocês no cinema a pensar que o que falta ao filme que estão a ver é o Senhor a aviar rotativos a vampiros? Iá, eu também.

2009-11-16

Dude, where's my car?

Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a manhã de domingo passado é pura coincidência.

O nosso herói, jovem garboso e a roçar a espectacularidade, acordou com o pi pii pi pii de uma nova mensagem, a sensação de ter levado um pontapé na cabeça e um murro no estômago, e a boca tão seca que nem a costumeira poça de baba tinha na almofada. E, a julgar pela maneira como o tecto do quarto rodava e oscilava, seria até capaz de jurar que estava deitado num colchão d'água instalado em cima de um touro mecânico encarnado pelo espírito do John Wayne.

Segurou o telemóvel a dois centímetros dos olhos semicerrados enquanto tentava focar as letras. "Bom dia! Sempre contamos com a tua presença hoje à tarde?:)" "Dois pontos fecha parêntesis? A sério? Quem é que sorri às... fónix! Às 9h13?!", pensou ele enquanto ponderava sobre a falácia de oferecer os seus préstimos sem pensar duas vezes apenas porque quem lho pede tem grandes olhos castanhos e longas e sedosas pestanas que bate de forma tão descarada como eficaz.

Tentou rebolar para o outro lado sem cair da cama mas, ainda a meio desta delicada manobra, que na altura lhe pareceu apenas ao alcance de ginastas chineses pré-púberes, uma dúvida invadiu o seu espírito: "Terei desligado os faróis?" Levantou-se num ápice e, após recuperar o equilíbrio, calçou as pantufas e deslocou-se até à porta do prédio para verificar. "Então mas... onde é que está o carro?! Terei deixado as portas abertas? Espera... como é que eu vim para casa?"

Coçou a cabeça primeiro e a nádega direita depois, encolheu os ombros e decidiu ir comer qualquer coisa antes de se preocupar com isso - afinal de contas o carro não era exactamente aquilo que alguém se gabaria de roubar. Ainda pensou ir bater à porta da vizinha do 2º B, aquela que conduz um jipe demasiado grande para ela e lhe sorri com o aparelho todo sempre que ele lhe segura a porta - não por cavalheirismo, que esse é um conceito que lhe é tão estranho como lavar os dentes ao fim de semana, mas porque aproveita essas ocasiões para lhe tirar fotografias ao rabo com o telemóvel - mas achou que aparecer de calças de pijama velhas e gastas e t-shirt do Mighty Mouse a cravar uma tosta mista talvez a levasse a chamar a polícia. E ele não estava com cabeça para histerismos e bastonadas.

O carro, esse, como mais tarde viria a descobrir, estava seguro e bem estacionado à porta de onde tinha jantado na noite anterior. Ainda disse várias vezes as palvras "Kitchi, Kitchi, vem mi buscá amigão" para o mostrador do relógio, mas não resultou. Enfim, nada como uma caminhada para abrir o apetite.

2009-11-13

Frangamente

Uma boa ideia era se em vez de aproveitarem a engenharia genética para fazer bebés arianos a usassem antes para fazerem frangos de quatro pernas - e como me tratam por senhor doutor quando vou ao banco acho que tenho credibilidade para mandar bitaites científicos. A sério, pensem nisso. Assim reduzia-se para metade as discussões sobre quem é que come as pernas do frango assado.

Só para que não restem dúvidas, sou eu.

2009-11-12

Bicycle bicycle, you are my bicycle

"Tens que ser sempre tão negativo?", perguntou a minha colega.
"Sim, faz parte do meu charme.", respondi eu.

Tudo porque me queria convencer que andar de bicicleta é saudável e eu alvitrei os nomes do Joaquim Agostinho e da minha prima Andreia, que um dia chocou de frente com uma carrinha de caixa aberta, daquelas que transportam caixotes de verdura, e ficou toda escangalhada. A minha prima, não a carrinha, que essa ficou impecável, fora uma amolgadela na porta do pendura, mas a gente acha que já lá estava e o homem é que quer aldrabar o seguro - como é que a minha prima, que ficou a morder o pára-choques, lhe metia a porta para dentro? E ela era bem gira, assim tipo top model, até cheguei a pensar em fazer-me ao piso, que nós somos primos mas afastados, para aí em terceiro ou quarto grau, e se um dia procriássemos a criança saía mais ou menos saudável. A respirar pela boca e a dar passou-bens com a mão muito mole e toda suada, na pior das hipóteses. Acho que valia a pena o risco.

Mas pronto, parece que vai haver um evento qualquer patrocinado por uma empresa qualquer em que se anda de bicicleta num sítio qualquer e cujo dinheiro reverte em favor de uma causa qualquer - não prestei atenção aos detalhes porque a conversa não era sobre o Grand Theft Auto IV nem havia slides da Sabrina Salerno aos pulos num trampolim - e querem convencer-me a participar com argumentos tão patetas como esse.

Se houver almoço de convívio - mas uma coisa em termos, tipo churrasco com pão e queijo do bom e tudo bem regado, não é cá sandes de fiambre e Spur Cola - vou lá ter de táxi.

No good deed goes unpunished

Estava agora mesmo a comer a fatia de bolo que a Susana me trouxe quando a Vera passou por mim e perguntou se eu lhe dava uma dentadinha. E eu dei. E agora estou outra vez em apuros com os Recursos Humanos apesar de quase nem ter feito sangue nem nada.

2009-11-11

É o bicho

Nunca compreendi o fascínio do Iran Costa pelo Jackie, mas a verdade é que ele estava sempre a tentar segurar o Chan, agarrar o Chan, segurar o Chan, Chan, Chan, Chan, Chan.

2009-11-10

Live fast, die young

Num dos exercícios da formação em que estive esta manhã tive de enumerar, a partir de uma lista, alguns dos valores que acho importantes para a minha vida pessoal e profissional. Entre esses valores estavam, e passo a citar, "fama" e "viver rápido", que eu prontamente assinalei porque apesar de até hoje nunca ter encontrado maneira de verbalizar o porquê da minha escolha pela informática, a verdade é que eu sempre me vi como o James Dean dos PCs ou o River Phoenix das disquetes de cinco e um quarto. De entre os outros valores disponíveis escolhi ainda o "prazer", que, obviamente, decorre das inevitáveis drogas e orgias consequentes da fama e vida on the fast lane de quem dedica boa parte do seu tempo a comer sandes de paio em frente a um monitor numa sala sem janelas iluminada a luz fluorescente. A "sofisticação" é também deveras importante para mim, como é patente pelo meu sempre impecável smoking que diariamente passeio pelos corredores, de vermute na mão, piscando o olho às meninas que comigo se cruzam e a quem lanço um ocasional "Hello, Mish Moneypenny". Fui, no entanto, incapaz de seleccionar o quinto valor pretendido, pois "aspirar cocaína do peito de bailarinas eróticas" não fazia parte da lista. Seria redundante, eu sei, mas assim como assim também lá estavam "ganho financeiro", "dinheiro" e "riqueza". Fica para a próxima.